Bate-papo e Cerveja!!

É muito tempo perdido…

12 de março de 2009

Para tudo se acabar na quarta feira…

 

Passei por mais um carnaval.
Nada de especial considerando que por mais um ano ganhei nota 10 como folião de controle remoto.
Não me transformei em Príncipe das Astúrias e nem visitei em delírios típicos dos entrudos momescos os reinos da fantasia criados pelos carnavalescos que desfilam em uma distante avenida, batizada com o nome de um sisudo Marques que nunca imaginou que daria seu nome ao palco de tamanha orgia pagã.
 
Eu não tenho uma teoria sobre porque temos essa adoração pelo carnaval. E muito menos aceito as explicações dadas pelos historiadores da hora.
Provavelmente nossa adoração pelo carnaval tem explicações muito mais complexas que preciso trabalhar melhor para escrever sobre elas.
 
Mas… voltando ao dia a dia das coisas que observo melhor, estou testando uma teoria onde colocarei em prática uma receita para ganhar o carnaval carioca.
Depois de muitos anos varando noites assistindo sempre a mesma coisa em um interminável processo pasteurizado onde tudo parece igual e sem a menor graça, cheguei à conclusão que até um neófito como eu é capaz de ser um carnavalesco campeão.
 
Vamos à receita em 10 itens para você transformar=se em um campeão do carnaval:
 
1 – Escolha um samba razoável que fez sucesso mediano a uns dez carnavais passados. Não precisa ser grande coisa, o importante é que todo mundo tenha uma vaga lembrança do refrão, nas não lembre exatamente de onde veio.
 
2 – Escolha um enredo mirabolante bem típico do carnaval carioca. Algo básico como: A Princesa de Sabá em traje de gala visita a corte do Rei Arthur ou Macunaíma de fraque e cartola janta no palácio de Versalhes. Coisinha bem enxuta sem chamar muito a atenção.
 
3 – Escolha uma meia dúzia de popozudas, dessas que freqüentam Caras, tem romances meteóricos com pagodeiros, decadentes jogadores de futebol ou são starletes da atual novela das oito.
 
4 – Sorrateiramente pegue a melhor ala de cada escola. Não precisa se preocupar com cores ou coerência de enredo. Se perceber bem, toda escola seja lá qual for o enredo tem sempre uma ala de caravelas, damas da corte, arlequins, nobres, e outras bobageiras típicas de carnaval.
 
5 – Escolha um interprete carismático. De preferência a um que fique fazendo firulas o tempo todo, futucando, largando a marimba, chorando o cavaco e toda sorte de presepadas novas ou antigas, inimaginavelmente como sempre uma grande bobagem.
 
6 – Escolha oito dos mais diversos e estapafúrdios carros alegóricos. Não precisa como na regra número quatro ter a menor coerência com o enredo. Basta ter mulheres seminuas, muita luz, neons, cachoeiras, monstros abissais, abrir e fechar de portas, que algo pulule de forma inesperada, e por fim que dois deles retratem um barraco típico da favela e um palácio desses que moram em nosso inconsciente coletivo.
 
7 – Escolha uma ex modelo famosa pra ser madrinha de qualquer coisa.
 
8 – Escolha pelo menos duas atrizes famosas (no desvio) que gostem de homens com a metade de sua idade e um barraco a cada nova edição da Revista Quem.
 
9 – Escolha uma meia dúzia de gays televisivos.
 
10 – Por fim escolha o resto da patuléia pra desfilar. De preferência a uns quatro mil animadíssimos ricos paulistas desfilando como loucos com toda família filmando e doidos pra chegarem em casa para repetirem tudo à exaustão em seus possantes DVDS de 21 feixes de laser.
 
Com tudo isso em mãos e sem precisar da sorte você tem 100% de chances de ganhar o carnaval carioca.
Nada é mais chato que ver todo ano a mesma coisa a exaustão.
As mesmas perguntas, as mesmas respostas… Onde tudo é lindo, tudo é luz, tudo é maravilhoso e que quando pisam na passarela é tanta energia e força que recebem que não sei como não morrem torrados ou explodem com seus egos inflados como bolhas de sabão.
 
Não tenho saudade do carnaval e outros tempos e muito menos gosto do carnaval atual. Na verdade nem sei sambar é bem possível que seja apenas um reclamão de plantão que nunca vai se conformar de terem transformado uma festa popular em um espetáculo televisivo cronometrado onde o Zé Pereira de agora tem oitenta e dois minutos para se diverti,  passou disso perde pontos e, é rebaixado ao grupo de acesso.
 
Ainda bem que me resta a cerveja.
 
criado por vagner.schuler    23:35 — Arquivado em: Sem categoria

Eu odeio Regimes!

Eu odeio a idéia formada no inconsciente coletivo que o padrão de beleza ocidental é a imagem holográfica de uma mulher anoréxica, esguia e bela.
Por que o belo precisa estar sacrificantemente abaixo dos cinqüenta quilos?
Quem inventou isso?
Eu fico imaginando que uma idéia tão absurda não pode ser invenção de uma só pessoa ou de um grupo de desavisados sádicos que resolveram por pura maldade transformar as segundas no dia mais odiado da semana por metade das mulheres do mundo.
Alguém consegue imaginar uma Vênus sem curvas? Sem o delicado contorno de formas esculpidas sem a ditadura da balança?
Impossível!
É como imaginar uma musa de Botero em um Spa ou uma Vênus renascentista preocupada com o regime.
Inimaginável!  
Às vezes fico pensando que a idéia do belo esquálido, não foi formada por uma geração de pintores revoltados com os renascentistas. Não foi formada pela indústria da moda que ao atingir o status de arte, passou a alimentar-se de si mesma em sua inesgotável criatividade antropofágica, criando e reinventando-se em ciclos intermináveis. Não foi formada pelo cinema que a cada década alterna-se entre curvilíneas musas de Fellini ou as esguias musas de Tarantino. Não foi construída pela televisão que define padrões de comportamento e linguagem refletindo em seu imediatismo o que estamos consumindo, mas não define o padrão do belo e nem o que é, ou será belo. Televisão busca a personalidade, acontecimento, explorando e vendendo o belo estando ele em formas anoréxicas ou rechonchudas.
Na verdade o belo anoréxico está intimamente ligado à idéia de que o belo é sacrificante e raro, essencialmente inatingível, algo que não pode ser obtido por pessoas comuns, simples, que enfrentam filas do supermercado ou ficam resfriadas.
O belo é o resultado de um sacrifício sem conta, de privações inimagináveis, de um esforço acima da capacidade humana de resistir às tentações calóricas, que apenas seres especiais podem alcançar.
Então, como prêmio por esse esforço sem conta, nós elegemos o belo anoréxico como o padrão de beleza social. Não pelo que ele é em si, mas pela inimaginável dificuldade de chegar e permanecer nele.
O mundo da beleza conseguiu transformar vitrines de delicatessen em bunker, guardiãs de terríveis armas terroristas contra o belo. Rótulos de simples produtos de consumo do dia a dia transformaram-se em matéria de leitura obrigatória para todos nós mortais, sem contar que a tradução e o entendimento dos mesmos é privilégio de poucos viventes capazes de traduzir hieróglifos modernos em sua versão transgênica e polissaturadas.
O belo inatingível transformou-se em um marco de nossa sociedade, a ponto de transformarmos seus ícones em ídolos sem valor, conta ou conteúdo, mas de misteriosa adoração. Adoramos o que eles conseguem, queremos ser como eles, mas no fundo sabemos que nunca vamos conseguir, e essa busca revela o velado desejo da delícia que é desejar e percorrer o caminho. Conseguir perderia parte do charme.

Sendo assim… eu odeio regime, porque adoro as musas renascentistas, tenho fascínio pelas deliciosas musas de Botero e os seios voluptuosos das musas de Fellini que nunca recusaram um bom prato de fetuccine. Odeio regime porque nem de longe imagino que alguém pode ser feliz almoçando uma cenoura e um copo de iogurte. Odeio regime porque não dá pra negociar amar uma mulher sem uma pontinha de celulite… (só uma pontinha). Odeio regime porque não sei ler rótulo de produtos e nem acho que isso é literatura ou que o valha. Odeio regime porque vitrines de padarias e delicatessem guardam milhões de anos de receitas deliciosas, calóricas e pecadoras… e pecar é uma delícia.

E por fim… odeio regime porque mulheres interessantes nunca vão se permitir escravizar por regras de uma sociedade holográfica… mulheres interessantes, quebram todas as regras e adoram morangos com chocolate e uma boa taça de champanhe derramado.


Então…  eu odeio regimes.

 

 

criado por vagner.schuler    22:52 — Arquivado em: Sem categoria

Strogonoff para Homens

 
Essa é uma receita de strogonoff para homens.
 
Para início de conversa nós homens não sabemos a diferença entre strogonoff ou picadinho metido a besta. Portanto contente-se com a gororoba que vai sair e coma agradecendo a Mãe Menininha, Santa Rita de Cássia e acenda uma vela para seu guia de proteção.
 
Dada as devidas explicações… vamos ao panelaço.
 
Se você é mulher, não sabe da infinita dificuldade que temos em entender as receitas da Ana Maria Braga, principalmente quando ela diz que é tudo facinho e quando tentamos fazer invariavelmente dá tudo errado.
Receitas culinárias de programas de TV, revista ou net definitivamente não foram escritas para homens, sempre falta um detalhe que não conseguimos transpor, empacamos como mula, estragamos tudo e a comida fica insuportável.
Sabendo dessa nossa amebice limitante e cozinheiro de final de semana, resolvi escrever uma receita com o máximo de detalhes cujo resultado seja algo comível.
 
Claro que você não vai fazer isso todo dia, porque dá muito trabalho, e sim uma vez ou outra para agradar a dona encrenca.
 
Sendo assim… siga detalhadamente os passos e obedeça aos ingredientes.
Não troque nada e nem faça de maneira diferente senão vai dar errado, e dando errado tua mulher vai te devolver pra tua mãe ou pra net o que é bem pior.
 
Então vamos aos ingredientes para duas pessoas: (se quer fazer pra quatro pessoas ai é festa, melhor irem a um restaurante, dá menos trabalho)
 
1 - Uma cebola média picada em cubos (se você não sabe o que é uma cebola média, desista e peça uma pizza que ainda ta em tempo);
 
2 - Um pimentão médio picado (vale a obs. de cima, e ao picar, tire as sementes e o máximo da parte branca interna, curiosamente essa parte causa mal estar na maioria das pessoas);
 
3 - Um pote de 100grs de Champion (170gr com liquido e 100gr drenado, não seja burro, isso ta escrito no rótulo);
 
4 - Um tablete de caldo de carne (previra a linha vitale, é mais suave);
 
5 - 500gr de carne limpa (a carne ideal para strogonoff é file mignon ou alcatra, não serve outra, não faça economia de asno comprando coxão mole ou qualquer outra coisa, não vá estragar seu prato);
 
6 - Manteiga (não serve margarina, só serve manteiga);
 
7 - Creme de leite (200 ml de preferência da Nestlé de caixinha, é infinitamente melhor que os outros);
 
8 - Molho de tomate (qualquer um, não é massa de tomate e nem molho de macarrão temperado, presta atenção é molho de tomate);
 
9 - Um pacote de batata frita tipo palha;
 
10 - Azeite (extra virgem, não economize);
 
11 - Cinco azeitonas verdes sem caroço picadas (lave antes para tirar o excesso de sal, se bebeu muito pule essa parte);
 
11 - Sal (refinado, isso não é churrasco);
 
12 - Alho (pode ser o pronto já picado, mas o puro, não serve com sal. Se não tiver use o equivalente a dois dentes médios);
 
13 - Pimenta calabresa em sementes (desidratada);
 
Vamos ao que você vai precisar:
 
Uma panela média;
Uma frigideira média;
Duas colheres de pau (isso é fundamental, nunca misture as colheres dos cozimentos);
Cerveja Bud gelada (muitas);
A mulher longe pra não dar palpite;
O telefone do melhor delivery da cidade se der errado.
 
Então vamos iniciar:
 
Como você não sabe cozinhar e não é adivinho, sugiro que compre um desses potes medidores facilmente encontrados em loja de 1,99.
Se não tem, então vai ter que se virar.
 
1 - Coloque uma xícara e meia de água pra esquentar (não é ferver, só esquentar, você pode usar o micro ondas pra isso);
 
2 - Abra o pote do Champion e corte em quatro pedaços cada cogumelo (se forem pequenos corte em dois, se forem grande em quatro. Tenha a percepção de um tamanho que consiga identificar quando for comer);
 
3 - Dissolva o tablete de carne na água quente em uma tigela pequena;
 
4 - Coloque os cogumelos nessa água com o tablete de carne dissolvidos para marinar até chegar a hora de você usá-los (isso leva em média uns 30 minutos);
 
5 - Pegue a carne (já devidamente limpa) e corte em cubinhos. Um cubo tem aproximadamente o tamanho da ultima falange do seu dedo indicador (não invente outro tamanho e tome cuidado pra não cortar o dedo);
 
6 - Coloque em um prato fundo ou uma tigela pequena a carne picada, tempere com sal, um pouco de pimenta e alho, coloque um pouco de azeite pra facilitar e misture bem. Normalmente tempere com um pouco mais de sal que o normal, pois no final com o creme de leite é esperado que fique sem sabor. Mas só um pouco, se não tem noção do que estou falando, então tempere do jeito que sabe. Deixe essa mistura marinar por uns 30 minutos;
 
7- Abra uma cerveja, vá ler notícias, namorar.. contar umas histórias enquanto ta pegando gosto a carne e o cogumelo;
 
Agora que você já ficou ligado, ta na hora de prosseguir:
 
Regra que não pode ser quebrada: tudo é feito com fogo baixo. Isso não é comida expressa. Fogo baixo é fundamental.
 
8 - Pegue a panela média e coloque um fio de óleo no fundo (se você não sabe o que é isso a essa altura, só ligando pra sua mãe pra continuar e não perder o que já fez até agora);
 
9 - Assim que esquentar jogue a carne na panela. Vá mexendo devagar até ela perder a cor vermelha inicial… Não deixe grudar. Isso leva uns 3 minutos;
 
10 - Assim que perder a cor vermelha e começar a formar água, tampe e deixe cozinhar. Vá mexendo de vez em quando, isso leva uns 10 minutos;
 
11 - Assim que a água começar a secar, deixe até você perceber que a carne está liberando óleos que flavorizam o cozimento e dão sabor ao prato. Se você não sabe o que estou falando, então quando começar a grudar no fundo da panela ta na hora de ir para o passo seguinte;
 
12 - Assim que começar a grudar no fundo, jogue metade da água que estava com os cogumelos marinando (não seja burro, eu disse só a água, tire os cogumelos antes, só a água);
 
13 - Mexa com cuidado, tampe e deixe cozinhar por mais 10 minutos;
 
14 - Durante o cozimento da carne, pegue a frigideira média;
 
15 - Coloque uma colher de sopa de manteiga na frigideira e deixe derreter;
 
16 - Assim que derreter coloque a cebola por uns 3 a 4 minutos;
 
17 - Quando a cebola começar a ficar branca, coloque o pimentão e deixe quebrar a acidez com um leve cozimento;
 
18 - Mexa devagar (a panela, você ta bêbado mas não é pra dar espetáculo);
 
19 - A essa altura a carne já está pronta do segundo cozimento com a água secando. Jogue a mistura que está na frigideira com a cebola e o pimentão;
 
20 - Deixe cozinhar por uns minutos e coloque o resto da água (só a água, sem os cogumelos);
 
21 - Deixe cozinhar por mais uns minutos, você vai saber quando estiver bom quando o pimentão deixar de ficar com a cor verde forte, ai esta no ponto. Não deixe a água secar dessa vez, a carne já esta cozida e você vai precisar desse molho para dar sabor e quantidade ao prato;
 
21 - Junte os cogumelos e as azeitonas ao molho, assim que entram no molho pegam gosto e sabor… deixe cozinhar por mais dois minutos;
 
22 - Coloque o molho de tomate, normalmente de 150 a 200 ml ou metade do pacote. Pelo amor dos Deuses da boa comida, não coloque ketchup, mostarda ou molho inglês. Isso é frescura, são muito fortes e vão estragar seu prato. Só coloque o molho e mais nada;
 
23 - Agora está quase pronto, só esperar ferver e o molho harmonizar. Harmonizar é quando todos os ingredientes se misturam, sem que seus sabores percam a individualidade;
 
Nota importante: Não me venha com a frescura de flambar o prato, você não sabe nem cozinhar, vai acabar se queimando ou o que é pior colocar fogo na casa;
 
24 - Assim que ferver e sentir que está harmonizado desligue o fogo;
 
25 - Coloque o creme de leite, misture levemente e com todo cuidado para que o leite forme uma cor uniforme com todos os outros ingredientes. Tampe a panela e espere uns dois minutos para que o molho estabilize e termine a harmonização.
 
 Obs. importante: Nunca coloque o creme de leite com o fogo ligado.
 
26 - Sirva com arroz branco e batata palha.
  
Obs. Se não sabe fazer arroz branco, soltinho e gostoso você ta mal na foto.
 
Um dia faço outro post ensinando uma receita de arroz branco que realmente funcione. 

Bom apetite!
criado por vagner.schuler    22:23 — Arquivado em: Sem categoria
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