25 de agosto de 2008
Finalmente terminaram as olimpíadas. Bananeira que já deu cacho. Estava na hora de acabar. Fim das noites mal dormidas a espera da reluzente medalha que não chegava nunca e quando brilhava era um rio de lágrimas absolutamente irracional.
Considerando nossas expectativas tivemos um resultado pífio, considerando nossa condição de subdesenvolvidos até que tivemos um desempenho razoável.
Não custa lembrar que ganhamos a mesma quantidade de medalhas de ouro que a Noruega ou Canadá, países tão certinhos e desenvolvidos que nem aparecem na televisão. Sem contar que na banda pobre do planeta ainda ganhamos de Cuba que em priscas eras já foi uma potência esportiva e dos Hermanos que elegeram uma perua para presidenta e agora só esperam recordes de escândalos e cafonices.
Os Chineses fizeram o que esperávamos deles: fogos, muita gente saracoteando, versão oficial pra tudo e umas mentirinhas pra apimentar. Nada de especial.
Como sempre tudo nessa olimpíada foi maior do mundo… até a próxima onde tudo será novamente maior do mundo na mesma cantilena dos superlativos de sempre.
Passo por mais uma olimpíada sem entender o real sentido desses jogos. Não acredito que seja algo puramente comercial e nem na máxima do ideal olímpico. Provavelmente nos humanos temos algo de bom guardados dentro da gente que justifique uma vida inteira de dedicação para ter por alguns parcos instantes a glória de ser campeão olímpico.
Resumindo: Podemos viver sem, mas por alguns instantes ainda de olhos vermelhos de sono ou de lágrimas lembramos que algumas pessoas podem fazer coisas inimagináveis movidas pela vontade e abnegação e elas são exatamente como nós.
Tomando emprestado a soberba de Luis XIV, nosso ensandecido treinador Bernardinho disse em bom tom: O vôlei sou Eu! Claro que como todo insano que se acha, o chão sempre aparece mais perto do que se espera. Triste fim de nosso Policarpo das táticas mirabolantes e jogadores desgastados. Deu no que deu. Perderam.
Porque perdemos? Nos próximos anos os oráculos da hora vão tricotar seus fios de adivinhos e vamos ouvir as mais mirabolantes pérolas do bestial jornalístico de quem quase sempre não entende nada.
Na verdade perdemos porque Vôlei é um jogo de equipe e não um jogo de estrelas onde o técnico presepeiro quer aparecer mais que os jogadores. Técnico não deve desejar ser a estrela da equipe e na sua insana mediocridade exigir que todos orbitem em sua gravidade.
Vale lembrar o ensinamento do astronauta Neil Armstrong. Em sua primeira entrevista (ao sair do complexo que o levou a ser o primeiro homem a pisar na lua) foi perguntado: Senhor, qual a importância de ser o primeiro homem a pisar na lua?
Sem o manto da soberba e despido de qualquer vaidade respondeu: Em um trabalho de equipe não importa quem é o primeiro.
Bernardinho que está com a cara no chão deveria aprender a lição com quem viu o mundo rodar várias vezes e está muito bem de pé.
Terminada a olimpíada de Atenas o volei feminino colocou a bola no saco e voltou pra casa sobre a sombra de um dos maiores fiascos da história dos jogos.
Os urubus que sobrevoam os girassois e os dragões da lingua venenosa que caçam os derrotados da vez, escolheram como puleiro preferido os ombros do Zé Roberto para pousar e se alimentarem das lagrimas dos derrotados.
Imune aos corvos e a todo telecoteco dos pseudoentendidos, a equipe feminina recolheu o chororo e tomou uma boa dose do entendimento indicado aos derrotados: Quem pode mais chora menos.
De posse dessa filosofia tosca a equipe do centrado Zé fez a lição de casa. Trabalhando corações e mentes e sem esquecer de muita pancadaria na redonda, fecharam quatro anos de puro preparo.
Resultado: Medalha de ouro na olimpíada da vez.
Claro que as aves da mal agouro tomaram um belíssimo cala boca, não do Zé que de tão refinado nao saberia fazer isso… mas encarregou uma de suas vassalas a cumprir o que estava engasgado.
Resumo da opera: Não dá para ouvir hino sem ralar os joelhos e uma boa dose de surdez com os idiotas de plantão.
21 de agosto de 2008
Perdemos a final do futebol feminino para as Americanas. Mais uma vez entramos em campo para ganhar jogando futebol, e perdemos. As americanas entraram para ganhar, até jogando futebol.
Esse pequeno e fundamental detalhe fez toda diferença.
Puxeta, caneta e drible da vaca, elástico, folha seca e chapeuzinho. Nem de longe as Americanas sabem o que é isso. Nós sabemos. Nascemos à sombra de Ademir da Guia, Rivelino e Tostão. Piaza, Romário e Zico. Aprendemos futebol em nossa imaginação radiofônica como arte que nos obriga a entrar pra jogar, dar show, toque de bola, lançamentos e dribles memoráveis. Nos ensinaram a jogar, e que ganhar é conseqüência do espetáculo. Triste fim de um sonho atropelado por quem entra pra marcar, jogar firme, matar o futebol arte em troca dos resultados que gravam as medalhas dos vencedores. Não amarelamos, não trememos, não somos do terceiro mundo das emoções sem controle, apenas fazemos parte de uma raça em extinção, discípulos de Didi folha seca que perdeu espaço para os vitoriosos e seus sistemas táticos computadorizados.
Um dia venceremos quando entendermos que não se ganha jogando futebol, mas até jogando futebol exatamente como fizeram as Americanas… e quem sabe ainda sobre um tempinho para entre uma jogada e outra, inspirados pelo saudoso Leônidas, sejamos brindados com bicicletas, medalhas de ouro e chocolate.
19 de agosto de 2008
Perguntinha indiscreta - 1
Em entrevista no final da noite a ultra mega power atleta Russa Isinbayeva disse que se tivesse percebido que Fabiana tinha perdido a sua vara de competição, ela poderia ter competido com sua vara emprestada.
Agora a pergunta que não quer calar: Se você fosse a Fabiana, pegaria na vara da Russa pra saltar?
Perguntinha indiscreta - 2
Se Fabiana aceitasse a oferta da Isinbayeva e competisse com a vara da Russa e em uma remota hipótese ganhasse a medalha de ouro, seria justo ela gozar a vitória com a vara da outra?
14 de agosto de 2008
Agora que estamos chegando a metade da competição e os resultados apresentados são pífios, começam aparecer os órfãos da viúva governamental com a choradeira de sempre, reclamando que o governo não investe, que o presidente é culpado que não temos centros de treinamento adequados, falta intercâmbio, verba, recursos e o mais batido chavão da falta de vontade política. Enfim é quase interminável o rosário de lágrimas e acusações aos que estão no poder.
Fico imaginando quanta bobagem não se esconde nessas acusações absurdas.
Imagine que por um delírio mescalínico você acorda pela manhã e descobre que é presidente de um país pobre com cento e oitenta mil viventes, e desses, vinte milhões são analfabetos e mais vinte milhões mal sabem assinar o nome.
Você mesmo chapado vai investir o pouco que tem para meia dúzia de eleitos ficarem dez horas por dia dando piruetas, nadando em piscinas térmicas, sassaricando em mortais ou batendo bola o dia todo.
Chega ser risível que vamos gastar nossas reservas nisso e deixarmos quarenta milhões que não conseguem um emprego básico de domestica ou servente pois não conseguem ler uma receita ou calcular quantas caixas de azulejos cobrem uma parede.
Imagino que um campeão como esses mutantes deformados podem ser feitos em laboratório, mas uma nação de vencedores é feita com educação básica e a prática esportiva em larga escala em nível elementar. Assim… milhares de jovens terão acesso ao esporte e os campeões aparecem aos gorgotões.
Pedir que se invista em esporte de alto desempenho e deixarmos quarenta milhões com medalha de latão é pedir muito até para um presidente doidão.
13 de agosto de 2008
Entre uma e outra reportagem sobre as gloriosas vitórias Brazucas em terras do Camarada Mao (que nos colocam a frente de Burquina Fasso e Togo), vejo invariavelmente uma matéria sobre os pandas chineses.
Fico pensando… deve ser um saco ser um panda. Pra começar o bicho já nasce no meio de um BBB gigante, porque esse negócio de nascer no matinho no meio da relva nem pensar. Muito antes de abrir os olhos já foi fotografado mil vezes, fotos postada em milhares de blogs ao redor do planeta sem contar que imediatamente é criada uma ONG para protegê-lo do mal inexorável que nós humanos representamos.
Na adolescência, na primeira crise existencial percebe que não tem com quem se rebelar, pois pais nem pensar, nunca vai conhecê-los pois estão separados em algum zoológico do mundo sendo fotografados até descarregarem as baterias das câmeras dos menos avisados.
Em seguida descobre que a vida é um saco, comer 50kg de bambu todo dia é dose até pra panda gigante. Nada de aproveitar a fama pra pedir um arroz com funghi ou um profiterole de chocolate, é bambu na veia full time.
Quando nada podia ser pior na sua vida pública, e que apesar de ser grandão e famoso, descobre que tem um pênis minúsculo que não chega a cinco centímetros, e suas pretendentes só aceitam uma rapidinha (quando também não estão se entupindo de bambu) dois dias por ano.
Agora fala sério: Que graça tem em ser famoso se você não tem equipamento, não pode pegar a mulherada, e ainda só come bambu o dia todo?
Não precisa nem responder, ser panda é um saco.
12 de agosto de 2008
Carro velho na sua infindável sabedoria batizou por tabela o primeiro X-men americano: O Homem Batráquiu. Quando Felpis entra na piscina, os servidores não param, os sinais de transito não entram em pane e muito menos acho o meu disco dos Stones perdido. Mas… por incrível que pareça os que estão na rabeira passam a nadar como se transmitidos por uma câmera especial filmados em câmera lenta… Feio, orelhudo, com a aquela cara que é o último a entender a piada e com aquele ridículo uniforme que mais parece um Capitão América deformado deixa o resto a imaginar a que horas chega o Professor Xavier e o resto da trupe de rabudos coloridos pra ver o coleguinha feioso competir.
Fico imaginando o que essa aberração come no café da manhã misturado ao seu sucrilhos ou o que tipo de Todynho radioativo ele bebe. Atletas normais treinam, competem, vencem e são derrotados. Ele não segue essa regra, não é atleta, não é normal e muito menos perde.
Quando compete ficamos incrédulos na torcida divididos acreditando que somos como ele humanos e invencíveis ou na mais sórdida torcida para que X-Bobo tenha uma câimbra e tome um belo caldo.
Comecei assistir as competições de ginástica artística nesse fim de semana.. e como sempre o que mais me impressiona são os nomes dos movimentos feitos pelas atletas. Fico imaginando uma pessoa normal que sai de casa e no trabalho escreve um email, desenvolve um programa, lava uma louça, vira um traçado de massa ou capina um canteiro de couve. Agora… imagine um atleta que chegando no trampo tem que passar o dia todo dando um duplo twist carpado, ou um mirabolante tsucarrara grupado ou quem sabe ainda um duplo mortal com pirueta invertida.
Será que isso tem cotação na bolsa de Londres?
Um gringo louco da Sports Illustrated, fez uma mirabolante previsão que nós brasileiros vamos ganhar o maior número de medalhas da nossa história.
Eu fico pensando que os maiores computadores do mundo reunidos com processadores vetoriais, estações de coleta, analistas com satélites, doutores com seus complexos modelos matemáticos não conseguem prever com certeza ou razoável estimativa se vai dar praia no final de semana… me aparece um gringo louco dizendo quem vai ganhar uma medalha de ouro em uma competição extremamente complexa com infinitas variáveis psicológicas.
É muita cara de pau e coragem pra assumir que é doido ou recebe a mãe Dina em seus sonhos.