Bate-papo e Cerveja!!

É muito tempo perdido…

3 de junho de 2009

Por alguns minutos…

 Decolamos.

Pelas próximas doze horas meu destino estará nas mãos de alguém que não conheço.

Sorrisos metálicos, gestos exaustivamente ensaiados e sincronizados. Um balé medieval de salamaleques e gentilezas.

Durante alguns minutos me deixo levar pelo burburinho dos que entraram e ainda conversam ansiosos com a expectativa da chegada. Bolsas, jaquetas, ternos impecáveis e seus vincos perfeitos relaxam agora em suas cadeiras observando o balé dos jovens tripulantes. 

Tecnologia em suas inimagináveis combinações comanda de forma invisível o espetáculo. Tudo que temos de mais avançado como civilização está resumido nesse breve espaço metálico. O que conseguimos, o que avançamos e conquistamos concatenamos em uma aerodinâmica e alada forma prateada.
 
Cinqüenta minutos…. um breve espaço de tempo, mas foi o limite para o adolescente ao meu lado comentar algo que não entendi direito, prestando melhor atenção descubro que vai visitar o pai que o aguarda para conhecer a cidade onde escolheu para trabalhar. Fico imaginando o quanto vai conhecer de novas e infindáveis refeições e no fim vai sentir saudades do Mcdonalds da esquina de casa.
 
Duas horas…. ligo o monitor a minha frente, um bobo vídeo institucional, alguns avisos…. Desisto. Ainda não estou entediado o suficiente para consumir isso.
 
Duas horas e trinta minutos…. uma pequena turbulência…. avisos, luzes, comandos. Em minha coreografia imaginária o balé dos salamaleques parece ainda mais formal, carrinhos, bandejas, copos e garrafas habilmente gerenciados parecem que jamais vão assumir suas iradas vertentes prosopopeicas.
 
Turbulência….
As luzes se apagam…. sinto frio.
 
As bocas se contorcem, as palavras são confusas, os gritos são claros.
Sei o que acontece e sinto que não esperava um destino tão estúpido.
 
Não vejo um filme da minha vida, vejo a inimaginável dor do pai que nunca vai abraçar seu filho no aeroporto.
Vejo a jovem de cabelos cacheados que jamais vai passear pelas largas avenidas iluminadas. O cavalheiro de terno de vinco perfeito que vai chegar definitivamente atrasado à reunião, os que vão perder a conexão, os que choram e outros tão violentados pela imbecilidade do fato que aceitam como eu meu inexorável destino.
 
O infinito azul marinho…. chuva, frio.
Me falta o ar, não há poesia… sinto falta das estrelas.
criado por vagner.schuler    13:57 — Arquivado em: Sem categoria

12 de março de 2009

Para tudo se acabar na quarta feira…

 

Passei por mais um carnaval.
Nada de especial considerando que por mais um ano ganhei nota 10 como folião de controle remoto.
Não me transformei em Príncipe das Astúrias e nem visitei em delírios típicos dos entrudos momescos os reinos da fantasia criados pelos carnavalescos que desfilam em uma distante avenida, batizada com o nome de um sisudo Marques que nunca imaginou que daria seu nome ao palco de tamanha orgia pagã.
 
Eu não tenho uma teoria sobre porque temos essa adoração pelo carnaval. E muito menos aceito as explicações dadas pelos historiadores da hora.
Provavelmente nossa adoração pelo carnaval tem explicações muito mais complexas que preciso trabalhar melhor para escrever sobre elas.
 
Mas… voltando ao dia a dia das coisas que observo melhor, estou testando uma teoria onde colocarei em prática uma receita para ganhar o carnaval carioca.
Depois de muitos anos varando noites assistindo sempre a mesma coisa em um interminável processo pasteurizado onde tudo parece igual e sem a menor graça, cheguei à conclusão que até um neófito como eu é capaz de ser um carnavalesco campeão.
 
Vamos à receita em 10 itens para você transformar=se em um campeão do carnaval:
 
1 – Escolha um samba razoável que fez sucesso mediano a uns dez carnavais passados. Não precisa ser grande coisa, o importante é que todo mundo tenha uma vaga lembrança do refrão, nas não lembre exatamente de onde veio.
 
2 – Escolha um enredo mirabolante bem típico do carnaval carioca. Algo básico como: A Princesa de Sabá em traje de gala visita a corte do Rei Arthur ou Macunaíma de fraque e cartola janta no palácio de Versalhes. Coisinha bem enxuta sem chamar muito a atenção.
 
3 – Escolha uma meia dúzia de popozudas, dessas que freqüentam Caras, tem romances meteóricos com pagodeiros, decadentes jogadores de futebol ou são starletes da atual novela das oito.
 
4 – Sorrateiramente pegue a melhor ala de cada escola. Não precisa se preocupar com cores ou coerência de enredo. Se perceber bem, toda escola seja lá qual for o enredo tem sempre uma ala de caravelas, damas da corte, arlequins, nobres, e outras bobageiras típicas de carnaval.
 
5 – Escolha um interprete carismático. De preferência a um que fique fazendo firulas o tempo todo, futucando, largando a marimba, chorando o cavaco e toda sorte de presepadas novas ou antigas, inimaginavelmente como sempre uma grande bobagem.
 
6 – Escolha oito dos mais diversos e estapafúrdios carros alegóricos. Não precisa como na regra número quatro ter a menor coerência com o enredo. Basta ter mulheres seminuas, muita luz, neons, cachoeiras, monstros abissais, abrir e fechar de portas, que algo pulule de forma inesperada, e por fim que dois deles retratem um barraco típico da favela e um palácio desses que moram em nosso inconsciente coletivo.
 
7 – Escolha uma ex modelo famosa pra ser madrinha de qualquer coisa.
 
8 – Escolha pelo menos duas atrizes famosas (no desvio) que gostem de homens com a metade de sua idade e um barraco a cada nova edição da Revista Quem.
 
9 – Escolha uma meia dúzia de gays televisivos.
 
10 – Por fim escolha o resto da patuléia pra desfilar. De preferência a uns quatro mil animadíssimos ricos paulistas desfilando como loucos com toda família filmando e doidos pra chegarem em casa para repetirem tudo à exaustão em seus possantes DVDS de 21 feixes de laser.
 
Com tudo isso em mãos e sem precisar da sorte você tem 100% de chances de ganhar o carnaval carioca.
Nada é mais chato que ver todo ano a mesma coisa a exaustão.
As mesmas perguntas, as mesmas respostas… Onde tudo é lindo, tudo é luz, tudo é maravilhoso e que quando pisam na passarela é tanta energia e força que recebem que não sei como não morrem torrados ou explodem com seus egos inflados como bolhas de sabão.
 
Não tenho saudade do carnaval e outros tempos e muito menos gosto do carnaval atual. Na verdade nem sei sambar é bem possível que seja apenas um reclamão de plantão que nunca vai se conformar de terem transformado uma festa popular em um espetáculo televisivo cronometrado onde o Zé Pereira de agora tem oitenta e dois minutos para se diverti,  passou disso perde pontos e, é rebaixado ao grupo de acesso.
 
Ainda bem que me resta a cerveja.
 
criado por vagner.schuler    23:35 — Arquivado em: Sem categoria

Eu odeio Regimes!

Eu odeio a idéia formada no inconsciente coletivo que o padrão de beleza ocidental é a imagem holográfica de uma mulher anoréxica, esguia e bela.
Por que o belo precisa estar sacrificantemente abaixo dos cinqüenta quilos?
Quem inventou isso?
Eu fico imaginando que uma idéia tão absurda não pode ser invenção de uma só pessoa ou de um grupo de desavisados sádicos que resolveram por pura maldade transformar as segundas no dia mais odiado da semana por metade das mulheres do mundo.
Alguém consegue imaginar uma Vênus sem curvas? Sem o delicado contorno de formas esculpidas sem a ditadura da balança?
Impossível!
É como imaginar uma musa de Botero em um Spa ou uma Vênus renascentista preocupada com o regime.
Inimaginável!  
Às vezes fico pensando que a idéia do belo esquálido, não foi formada por uma geração de pintores revoltados com os renascentistas. Não foi formada pela indústria da moda que ao atingir o status de arte, passou a alimentar-se de si mesma em sua inesgotável criatividade antropofágica, criando e reinventando-se em ciclos intermináveis. Não foi formada pelo cinema que a cada década alterna-se entre curvilíneas musas de Fellini ou as esguias musas de Tarantino. Não foi construída pela televisão que define padrões de comportamento e linguagem refletindo em seu imediatismo o que estamos consumindo, mas não define o padrão do belo e nem o que é, ou será belo. Televisão busca a personalidade, acontecimento, explorando e vendendo o belo estando ele em formas anoréxicas ou rechonchudas.
Na verdade o belo anoréxico está intimamente ligado à idéia de que o belo é sacrificante e raro, essencialmente inatingível, algo que não pode ser obtido por pessoas comuns, simples, que enfrentam filas do supermercado ou ficam resfriadas.
O belo é o resultado de um sacrifício sem conta, de privações inimagináveis, de um esforço acima da capacidade humana de resistir às tentações calóricas, que apenas seres especiais podem alcançar.
Então, como prêmio por esse esforço sem conta, nós elegemos o belo anoréxico como o padrão de beleza social. Não pelo que ele é em si, mas pela inimaginável dificuldade de chegar e permanecer nele.
O mundo da beleza conseguiu transformar vitrines de delicatessen em bunker, guardiãs de terríveis armas terroristas contra o belo. Rótulos de simples produtos de consumo do dia a dia transformaram-se em matéria de leitura obrigatória para todos nós mortais, sem contar que a tradução e o entendimento dos mesmos é privilégio de poucos viventes capazes de traduzir hieróglifos modernos em sua versão transgênica e polissaturadas.
O belo inatingível transformou-se em um marco de nossa sociedade, a ponto de transformarmos seus ícones em ídolos sem valor, conta ou conteúdo, mas de misteriosa adoração. Adoramos o que eles conseguem, queremos ser como eles, mas no fundo sabemos que nunca vamos conseguir, e essa busca revela o velado desejo da delícia que é desejar e percorrer o caminho. Conseguir perderia parte do charme.

Sendo assim… eu odeio regime, porque adoro as musas renascentistas, tenho fascínio pelas deliciosas musas de Botero e os seios voluptuosos das musas de Fellini que nunca recusaram um bom prato de fetuccine. Odeio regime porque nem de longe imagino que alguém pode ser feliz almoçando uma cenoura e um copo de iogurte. Odeio regime porque não dá pra negociar amar uma mulher sem uma pontinha de celulite… (só uma pontinha). Odeio regime porque não sei ler rótulo de produtos e nem acho que isso é literatura ou que o valha. Odeio regime porque vitrines de padarias e delicatessem guardam milhões de anos de receitas deliciosas, calóricas e pecadoras… e pecar é uma delícia.

E por fim… odeio regime porque mulheres interessantes nunca vão se permitir escravizar por regras de uma sociedade holográfica… mulheres interessantes, quebram todas as regras e adoram morangos com chocolate e uma boa taça de champanhe derramado.


Então…  eu odeio regimes.

 

 

criado por vagner.schuler    22:52 — Arquivado em: Sem categoria

Strogonoff para Homens

 
Essa é uma receita de strogonoff para homens.
 
Para início de conversa nós homens não sabemos a diferença entre strogonoff ou picadinho metido a besta. Portanto contente-se com a gororoba que vai sair e coma agradecendo a Mãe Menininha, Santa Rita de Cássia e acenda uma vela para seu guia de proteção.
 
Dada as devidas explicações… vamos ao panelaço.
 
Se você é mulher, não sabe da infinita dificuldade que temos em entender as receitas da Ana Maria Braga, principalmente quando ela diz que é tudo facinho e quando tentamos fazer invariavelmente dá tudo errado.
Receitas culinárias de programas de TV, revista ou net definitivamente não foram escritas para homens, sempre falta um detalhe que não conseguimos transpor, empacamos como mula, estragamos tudo e a comida fica insuportável.
Sabendo dessa nossa amebice limitante e cozinheiro de final de semana, resolvi escrever uma receita com o máximo de detalhes cujo resultado seja algo comível.
 
Claro que você não vai fazer isso todo dia, porque dá muito trabalho, e sim uma vez ou outra para agradar a dona encrenca.
 
Sendo assim… siga detalhadamente os passos e obedeça aos ingredientes.
Não troque nada e nem faça de maneira diferente senão vai dar errado, e dando errado tua mulher vai te devolver pra tua mãe ou pra net o que é bem pior.
 
Então vamos aos ingredientes para duas pessoas: (se quer fazer pra quatro pessoas ai é festa, melhor irem a um restaurante, dá menos trabalho)
 
1 - Uma cebola média picada em cubos (se você não sabe o que é uma cebola média, desista e peça uma pizza que ainda ta em tempo);
 
2 - Um pimentão médio picado (vale a obs. de cima, e ao picar, tire as sementes e o máximo da parte branca interna, curiosamente essa parte causa mal estar na maioria das pessoas);
 
3 - Um pote de 100grs de Champion (170gr com liquido e 100gr drenado, não seja burro, isso ta escrito no rótulo);
 
4 - Um tablete de caldo de carne (previra a linha vitale, é mais suave);
 
5 - 500gr de carne limpa (a carne ideal para strogonoff é file mignon ou alcatra, não serve outra, não faça economia de asno comprando coxão mole ou qualquer outra coisa, não vá estragar seu prato);
 
6 - Manteiga (não serve margarina, só serve manteiga);
 
7 - Creme de leite (200 ml de preferência da Nestlé de caixinha, é infinitamente melhor que os outros);
 
8 - Molho de tomate (qualquer um, não é massa de tomate e nem molho de macarrão temperado, presta atenção é molho de tomate);
 
9 - Um pacote de batata frita tipo palha;
 
10 - Azeite (extra virgem, não economize);
 
11 - Cinco azeitonas verdes sem caroço picadas (lave antes para tirar o excesso de sal, se bebeu muito pule essa parte);
 
11 - Sal (refinado, isso não é churrasco);
 
12 - Alho (pode ser o pronto já picado, mas o puro, não serve com sal. Se não tiver use o equivalente a dois dentes médios);
 
13 - Pimenta calabresa em sementes (desidratada);
 
Vamos ao que você vai precisar:
 
Uma panela média;
Uma frigideira média;
Duas colheres de pau (isso é fundamental, nunca misture as colheres dos cozimentos);
Cerveja Bud gelada (muitas);
A mulher longe pra não dar palpite;
O telefone do melhor delivery da cidade se der errado.
 
Então vamos iniciar:
 
Como você não sabe cozinhar e não é adivinho, sugiro que compre um desses potes medidores facilmente encontrados em loja de 1,99.
Se não tem, então vai ter que se virar.
 
1 - Coloque uma xícara e meia de água pra esquentar (não é ferver, só esquentar, você pode usar o micro ondas pra isso);
 
2 - Abra o pote do Champion e corte em quatro pedaços cada cogumelo (se forem pequenos corte em dois, se forem grande em quatro. Tenha a percepção de um tamanho que consiga identificar quando for comer);
 
3 - Dissolva o tablete de carne na água quente em uma tigela pequena;
 
4 - Coloque os cogumelos nessa água com o tablete de carne dissolvidos para marinar até chegar a hora de você usá-los (isso leva em média uns 30 minutos);
 
5 - Pegue a carne (já devidamente limpa) e corte em cubinhos. Um cubo tem aproximadamente o tamanho da ultima falange do seu dedo indicador (não invente outro tamanho e tome cuidado pra não cortar o dedo);
 
6 - Coloque em um prato fundo ou uma tigela pequena a carne picada, tempere com sal, um pouco de pimenta e alho, coloque um pouco de azeite pra facilitar e misture bem. Normalmente tempere com um pouco mais de sal que o normal, pois no final com o creme de leite é esperado que fique sem sabor. Mas só um pouco, se não tem noção do que estou falando, então tempere do jeito que sabe. Deixe essa mistura marinar por uns 30 minutos;
 
7- Abra uma cerveja, vá ler notícias, namorar.. contar umas histórias enquanto ta pegando gosto a carne e o cogumelo;
 
Agora que você já ficou ligado, ta na hora de prosseguir:
 
Regra que não pode ser quebrada: tudo é feito com fogo baixo. Isso não é comida expressa. Fogo baixo é fundamental.
 
8 - Pegue a panela média e coloque um fio de óleo no fundo (se você não sabe o que é isso a essa altura, só ligando pra sua mãe pra continuar e não perder o que já fez até agora);
 
9 - Assim que esquentar jogue a carne na panela. Vá mexendo devagar até ela perder a cor vermelha inicial… Não deixe grudar. Isso leva uns 3 minutos;
 
10 - Assim que perder a cor vermelha e começar a formar água, tampe e deixe cozinhar. Vá mexendo de vez em quando, isso leva uns 10 minutos;
 
11 - Assim que a água começar a secar, deixe até você perceber que a carne está liberando óleos que flavorizam o cozimento e dão sabor ao prato. Se você não sabe o que estou falando, então quando começar a grudar no fundo da panela ta na hora de ir para o passo seguinte;
 
12 - Assim que começar a grudar no fundo, jogue metade da água que estava com os cogumelos marinando (não seja burro, eu disse só a água, tire os cogumelos antes, só a água);
 
13 - Mexa com cuidado, tampe e deixe cozinhar por mais 10 minutos;
 
14 - Durante o cozimento da carne, pegue a frigideira média;
 
15 - Coloque uma colher de sopa de manteiga na frigideira e deixe derreter;
 
16 - Assim que derreter coloque a cebola por uns 3 a 4 minutos;
 
17 - Quando a cebola começar a ficar branca, coloque o pimentão e deixe quebrar a acidez com um leve cozimento;
 
18 - Mexa devagar (a panela, você ta bêbado mas não é pra dar espetáculo);
 
19 - A essa altura a carne já está pronta do segundo cozimento com a água secando. Jogue a mistura que está na frigideira com a cebola e o pimentão;
 
20 - Deixe cozinhar por uns minutos e coloque o resto da água (só a água, sem os cogumelos);
 
21 - Deixe cozinhar por mais uns minutos, você vai saber quando estiver bom quando o pimentão deixar de ficar com a cor verde forte, ai esta no ponto. Não deixe a água secar dessa vez, a carne já esta cozida e você vai precisar desse molho para dar sabor e quantidade ao prato;
 
21 - Junte os cogumelos e as azeitonas ao molho, assim que entram no molho pegam gosto e sabor… deixe cozinhar por mais dois minutos;
 
22 - Coloque o molho de tomate, normalmente de 150 a 200 ml ou metade do pacote. Pelo amor dos Deuses da boa comida, não coloque ketchup, mostarda ou molho inglês. Isso é frescura, são muito fortes e vão estragar seu prato. Só coloque o molho e mais nada;
 
23 - Agora está quase pronto, só esperar ferver e o molho harmonizar. Harmonizar é quando todos os ingredientes se misturam, sem que seus sabores percam a individualidade;
 
Nota importante: Não me venha com a frescura de flambar o prato, você não sabe nem cozinhar, vai acabar se queimando ou o que é pior colocar fogo na casa;
 
24 - Assim que ferver e sentir que está harmonizado desligue o fogo;
 
25 - Coloque o creme de leite, misture levemente e com todo cuidado para que o leite forme uma cor uniforme com todos os outros ingredientes. Tampe a panela e espere uns dois minutos para que o molho estabilize e termine a harmonização.
 
 Obs. importante: Nunca coloque o creme de leite com o fogo ligado.
 
26 - Sirva com arroz branco e batata palha.
  
Obs. Se não sabe fazer arroz branco, soltinho e gostoso você ta mal na foto.
 
Um dia faço outro post ensinando uma receita de arroz branco que realmente funcione. 

Bom apetite!
criado por vagner.schuler    22:23 — Arquivado em: Sem categoria

25 de agosto de 2008

Virando a página…

Finalmente terminaram as olimpíadas. Bananeira que já deu cacho. Estava na hora de acabar. Fim das noites mal dormidas a espera da reluzente medalha que não chegava nunca e quando brilhava era um rio de lágrimas absolutamente irracional.

Considerando nossas expectativas tivemos um resultado pífio, considerando nossa condição de subdesenvolvidos até que tivemos um desempenho razoável.
Não custa lembrar que ganhamos a mesma quantidade de medalhas de ouro que a Noruega ou Canadá, países tão certinhos e desenvolvidos que nem aparecem na televisão. Sem contar que na banda pobre do planeta ainda ganhamos de Cuba que em priscas eras já foi uma potência esportiva e dos Hermanos que elegeram uma perua para presidenta e agora só esperam recordes de escândalos e cafonices.

Os Chineses fizeram o que esperávamos deles: fogos, muita gente saracoteando, versão oficial pra tudo e umas mentirinhas pra apimentar. Nada de especial.
Como sempre tudo nessa olimpíada foi maior do mundo… até a próxima onde tudo será novamente maior do mundo na mesma cantilena dos superlativos de sempre.

Passo por mais uma olimpíada sem entender o real sentido desses jogos. Não acredito que seja algo puramente comercial e nem na máxima do ideal olímpico. Provavelmente nos humanos temos algo de bom guardados dentro da gente que justifique uma vida inteira de dedicação para ter por alguns parcos instantes a glória de ser campeão olímpico.

Resumindo: Podemos viver sem, mas por alguns instantes ainda de olhos vermelhos de sono ou de lágrimas lembramos que algumas pessoas podem fazer coisas inimagináveis movidas pela vontade e abnegação e elas são exatamente como nós.

criado por vagner.schuler    21:43 — Arquivado em: Sem categoria

O vôlei masculino e a Apollo XI

Tomando emprestado a soberba de Luis XIV, nosso ensandecido treinador Bernardinho disse em bom tom: O vôlei sou Eu! Claro que como todo insano que se acha, o chão sempre aparece mais perto do que se espera. Triste fim de nosso Policarpo das táticas mirabolantes e jogadores desgastados. Deu no que deu. Perderam.
Porque perdemos? Nos próximos anos os oráculos da hora vão tricotar seus fios de adivinhos e vamos ouvir as mais mirabolantes pérolas do bestial jornalístico de quem quase sempre não entende nada.
Na verdade perdemos porque Vôlei é um jogo de equipe e não um jogo de estrelas onde o técnico presepeiro quer aparecer mais que os jogadores. Técnico não deve desejar ser a estrela da equipe e na sua insana mediocridade exigir que todos orbitem em sua gravidade.
Vale lembrar o ensinamento do astronauta Neil Armstrong. Em sua primeira entrevista (ao sair do complexo que o levou a ser o primeiro homem a pisar na lua) foi perguntado: Senhor, qual a importância de ser o primeiro homem a pisar na lua?
Sem o manto da soberba e despido de qualquer vaidade respondeu: Em um trabalho de equipe não importa quem é o primeiro.
Bernardinho que está com a cara no chão deveria aprender a lição com quem viu o mundo rodar várias vezes e está muito bem de pé.

criado por vagner.schuler    14:31 — Arquivado em: Sem categoria

Zé guerreiro contra o dragão da lingua venenosa

Terminada a olimpíada de Atenas o volei feminino colocou a bola no saco e voltou pra casa sobre a sombra de um dos maiores fiascos da história dos jogos.
Os urubus que sobrevoam os girassois e os dragões da lingua venenosa que caçam os derrotados da vez, escolheram como puleiro preferido os ombros do Zé Roberto para pousar e se alimentarem das lagrimas dos derrotados.
Imune aos corvos e a todo telecoteco dos pseudoentendidos, a equipe feminina recolheu o chororo e tomou uma boa dose do entendimento indicado aos derrotados: Quem pode mais chora menos.
De posse dessa filosofia tosca a equipe do centrado Zé fez a lição de casa. Trabalhando corações e mentes e sem esquecer de muita pancadaria na redonda, fecharam quatro anos de puro preparo.
Resultado: Medalha de ouro na olimpíada da vez.
Claro que as aves da mal agouro tomaram um belíssimo cala boca, não do Zé que de tão refinado nao saberia fazer isso… mas encarregou uma de suas vassalas a cumprir o que estava engasgado.
Resumo da opera: Não dá para ouvir hino sem ralar os joelhos e uma boa dose de surdez com os idiotas de plantão.

criado por vagner.schuler    1:41 — Arquivado em: Sem categoria

21 de agosto de 2008

Os Deuses não jogam futebol

Perdemos a final do futebol feminino para as Americanas. Mais uma vez entramos em campo para ganhar jogando futebol, e perdemos. As americanas entraram para ganhar, até jogando futebol.

Esse pequeno e fundamental detalhe fez toda diferença.

Puxeta, caneta e drible da vaca, elástico, folha seca e chapeuzinho. Nem de longe as Americanas sabem o que é isso. Nós sabemos. Nascemos à sombra de Ademir da Guia, Rivelino e Tostão. Piaza, Romário e Zico. Aprendemos futebol em nossa imaginação radiofônica como arte que nos obriga a entrar pra jogar, dar show, toque de bola, lançamentos e dribles memoráveis. Nos ensinaram a jogar, e que ganhar é conseqüência do espetáculo. Triste fim de um sonho atropelado por quem entra pra marcar, jogar firme, matar o futebol arte em troca dos resultados que gravam as medalhas dos vencedores. Não amarelamos, não trememos, não somos do terceiro mundo das emoções sem controle, apenas fazemos parte de uma raça em extinção, discípulos de Didi folha seca que perdeu espaço para os vitoriosos e seus sistemas táticos computadorizados.
Um dia venceremos quando entendermos que não se ganha jogando futebol, mas até jogando futebol exatamente como fizeram as Americanas… e quem sabe ainda sobre um tempinho para entre uma jogada e outra, inspirados pelo saudoso Leônidas, sejamos brindados com bicicletas, medalhas de ouro e chocolate.

criado por vagner.schuler    22:51 — Arquivado em: Sem categoria

19 de agosto de 2008

Perguntinhas indiscretas

Perguntinha indiscreta - 1

Em entrevista no final da noite a ultra mega power atleta Russa Isinbayeva disse que se tivesse percebido que Fabiana tinha perdido a sua vara de competição, ela poderia ter competido com sua vara emprestada.
Agora a pergunta que não quer calar: Se você fosse a Fabiana, pegaria na vara da Russa pra saltar?

Perguntinha indiscreta - 2

Se Fabiana aceitasse a oferta da Isinbayeva e competisse com a vara da Russa e em uma remota hipótese ganhasse a medalha de ouro, seria justo ela gozar a vitória com a vara da outra?

criado por vagner.schuler    14:12 — Arquivado em: Sem categoria

14 de agosto de 2008

Medalha de latão para o Severino analfa.

Agora que estamos chegando a metade da competição e os resultados apresentados são pífios, começam aparecer os órfãos da viúva governamental com a choradeira de sempre, reclamando que o governo não investe, que o presidente é culpado que não temos centros de treinamento adequados, falta intercâmbio, verba, recursos e o mais batido chavão da falta de vontade política. Enfim é quase interminável o rosário de lágrimas e acusações aos que estão no poder.
Fico imaginando quanta bobagem não se esconde nessas acusações absurdas.
Imagine que por um delírio mescalínico você acorda pela manhã e descobre que é presidente de um país pobre com cento e oitenta mil viventes, e desses, vinte milhões são analfabetos e mais vinte milhões mal sabem assinar o nome.
Você mesmo chapado vai investir o pouco que tem para meia dúzia de eleitos ficarem dez horas por dia dando piruetas, nadando em piscinas térmicas, sassaricando em mortais ou batendo bola o dia todo.
Chega ser risível que vamos gastar nossas reservas nisso e deixarmos quarenta milhões que não conseguem um emprego básico de domestica ou servente pois não conseguem ler uma receita ou calcular quantas caixas de azulejos cobrem uma parede.
Imagino que um campeão como esses mutantes deformados podem ser feitos em laboratório, mas uma nação de vencedores é feita com educação básica e a prática esportiva em larga escala em nível elementar. Assim… milhares de jovens terão acesso ao esporte e os campeões aparecem aos gorgotões.
Pedir que se invista em esporte de alto desempenho e deixarmos quarenta milhões com medalha de latão é pedir muito até para um presidente doidão.

criado por vagner.schuler    16:04 — Arquivado em: Sem categoria
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